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Paula Horta (CRP 05/31603) tem graduação e mestrado em Psicologia Clínica pela PUC-Rio (Terapia de Família). É Gestalt-terapeuta e Terapeuta Sistêmica. Fez curso em Constelação Familiar Individual com bonecos e é especialista em transtornos alimentares. Terapeuta individual, de casal, de família e grupos. Supervisora clínica. Coordenadora e professora da Formação em Terapia Sistêmica Vivencial do Bio Desenvolvimento Humano. Coordenadora de workshops terapêuticos e didáticos.

Paula Horta

Clínica

“Falar em alimento é desde o princípio da vida falar em afeto. Falar em afeto é evidentemente falar em relação. Falar em relação é falar de pessoas com conflitos que intercambiam sentimentos, sensações, percepções e emoções.” (Schomer, 2003)  

Os transtornos alimentares são definidos como desvios do comportamento alimentar, que podem levar desde ao emagrecimento extremo até à obesidade, entre outros problemas físicos e emocionais. Os principais transtornos alimentares são Anorexia Nervosa, Bulimia Nervosa e Transtorno da Compulsão Alimentar.  

As relações familiares disfuncionais, junto a outros fatores como os genéticos, psicológicos e socioculturais podem contribuir para o surgimento e/ou manutenção dos transtornos alimentares.  A preocupação com a aparência é uma característica significativa da sociedade contemporânea e faz com que as pessoas busquem incessantemente obter um corpo como o modelado pela mídia. Este padrão de beleza, que incentiva a magreza em excesso e é divulgado pelos meios de comunicação, frequentemente é reforçado pela família e pelos amigos. Os rituais de emagrecimento e os métodos compensatórios para perda de peso são constantemente compartilhados na rede social, que muitas vezes os considera comuns e até inofensivos, mesmo quando são inadequados.  

A partir da perspectiva da Gestalt-terapia, compreendemos que os transtornos alimentares, mesmo com suas características autodestrutivas, têm um caráter preservativo. Ou seja, apesar de trazerem muito sofrimento para o cliente, esses sintomas apresentam uma característica autorreguladora, sendo essa a melhor forma que a pessoa consegue estar no mundo neste momento. Geralmente o cliente viveu ou está vivendo outras situações emocionalmente difíceis em sua vida e se utiliza da comida como uma compensação ou fonte de prazer, ou até mesmo como punição por algo ruim que acredita que tenha sido responsável. A relação disfuncional com a comida e com o corpo vai muito além do que parece. Pode ser uma forma do cliente comunicar insatisfações e colocar limites, que ainda não consegue fazer de uma outra maneira mais clara e saudável.  

Os transtornos alimentares, assim como os outros transtornos mentais, também têm uma função sistêmica, que deve ser compreendida e trabalhada na terapia. Apesar dos sintomas alimentares geralmente se manifestarem em apenas um indivíduo, acreditamos que eles evidenciam que algo está em desarmonia naquele sistema familiar, além de emaranhados sistêmicos que podem inclusive ser transgeracionais e que, na maioria das vezes, ainda não são conhecidos pelo cliente. A terapia sistêmica tem este olhar mais amplo para o contexto do cliente, visando compreender a função do adoecimento e, a partir de então, trabalhar novas formas dele se relacionar com a comida, com as pessoas e com o mundo.  

Por ser um transtorno mental com etiologia multifatorial, é essencial que o tratamento seja feito com uma equipe multidisciplinar especializada, que inclua médicos (psiquiatra, clínico e endocrinologista), psicólogo, nutricionista, educador físico, dentre outros profissionais de saúde que possam contribuir para o tratamento da saúde global do cliente.

Aldeia é um ecossistema sem aparência e forma,
e seu verdadeiro lugar é dentro de cada um de nós.