Como a acupuntura age ?

Tendo seus primeiros registros há mais de cinco mil anos e criada, sistematizada, há mais de dois milênios na China, a acupuntura é um dos tratamentos médicos mais antigos do mundo. A técnica de estimulação de pontos específicos do corpo por meio da aplicação de agulhas rompeu as fronteiras da Ásia, cruzou oceanos e hoje é largamente utilizada em todo o mundo para reduzir dores, promover o equilíbrio do organismo e combater o estresse crônico.

A acupuntura, por meio de estímulo pelas agulhas e outros instrumentos, em pontos específicos do corpo, produz uma série de reações locais e sistêmicas, resultando alívio dos sintomas de forma imediata ou progressiva. As ações se dão pela via nervosa – explicando de forma resumida – há a liberação de substâncias como a endorfina, dopamina e serotonina em várias regiões do cérebro, resultando em efeito de analgesia, calmante, antidepressivo, relaxamento muscular, melhora de funções dos órgãos internos (mesmo quando já existem distúrbios), melhora de problemas alérgicos e outros já comprovados em muitas pesquisas científicas realizadas no mundo inteiro.

Com a acupuntura e práticas afins da medicina chinesa (fitoterapia, orientação alimentar, auriculoterapia, ventosa, moxabustão, etc), associadas ao tratamento psiquiátrico e psicoterapêutico, ou utilizada exclusivamente, o uso de medicamentos como ansiolíticos e anti-inflamatórios, por exemplo, podem ser reduzidos ou até mesmo suspenso, livrando assim o paciente de efeitos colaterais e dependência química. Isso porque a acupuntura tem efeito sedativo e ansiolítico, agindo na liberação de substâncias do sistema nervoso central, entre elas a endorfina, dopamina, encefalina e serotonina.

A encefalina, por exemplo, além de diminuir a dor, age no sistema límbico (a parte do encéfalo que controla as emoções), gerando bem-estar e consequentemente, o relaxamento mental. A liberação de tais substâncias, promovida pelas aplicações, é fator importante no tratamento de distúrbios como a ansiedade, depressão, síndrome de pânico e outros, além de atuar no controle de manifestações físicas como palpitações, distensão abdominal, gastrite, cefaléias, hipocondria, insônia, dificuldade de se relacionar, dores crônicas, entre outras.

No entanto, se os benefícios são evidentes, o mecanismo de ação da prática ainda não foi totalmente compreendido. Na busca por decifrar as bases moleculares por trás das espetadas, pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, realizaram testes em animais e concluíram que a acupuntura pode reduzir significativamente a liberação, no sangue, de substâncias ligadas ao estresse. Os resultados foram publicados no periódico Journal of Endocrinology.

Ladan Eshekevari, principal autora do estudo, conta que seu interesse pelo tema surgiu da experiência clínica. “Notei que muitos dos meus pacientes nos quais aplicava acupuntura para tratar dores relataram sinais de alívio do estresse, como hábitos de sono melhor e maior capacidade de lidar com o sofrimento físico, entre outros. Então, pensei que, talvez, eu estivesse afetando as vias de estresse em vez das de dor”, revela Eshekevari, que é fisiologista, enfermeira anestesista e acupunturista certificada.

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